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Por: Antonio Gil Castinheiras Neto
AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO SUBJETIVA DA DOR
A dor é um conceito muito antigo, porém somente no final dos anos 50 alguns instrumentos foram desenvolvidos a fim de quantificar os sintomas somáticos, atribuindo valores através da percepção subjetiva do ser humano.
É conceituada como uma sensação desagradável, ocorrendo em graus variáveis de intensidade em conseqüência de uma lesão, moléstia ou distúrbio emocional 1. Em uma primeira avaliação devemos localizar o foco, a extensão, a irradiação e o padrão cronológico da dor 2. A dor também é definida como: aguda quando tem padrão transitório e curto período de tempo (segundos à semanas) e está relacionada com pancadas, cortes, etc.; crônica, quando apresenta duração prolongada (meses à anos) estando relacionada com doenças crônico-degenerativas do sistema osteomioarticular como a lombalgia; e recorrente, quando for caracterizada pela dor de curta duração, porém eventual (enxaqueca).
Para compreender os mecanismos fisiológicos responsáveis pela ativação dos receptores de dor, devemos primeiramente compreender que a dor nem sempre está relacionada com um dano real tecidual 1. A teoria da comporta da dor nos diz que dois mecanismos estão associados a expressão da dor: 1) quando há lesão tecidual evidente ou 2) quando distúrbios psicológicos estão associados à sintomatologia dolorosa, mesmo sem evidência de lesão (razões idiopáticas) 3. Devemos tentar distinguir e compreender o mecanismo da síntese da dor apresentada pelo nosso paciente visando determinar qual instrumento deverá ser aplicado, já que instrumentos distintos deverão ser utilizados. Quando elementos físicos estão associados a sintomatologia dolorosa é preconizado a utilização de escalas (unidimensionais) como o CR-10 de Borg, Knee pain scale e a escala visual analógica-EVA para a mensuração da percepção subjetiva da dor. Quando fatores emocionais estão associados à dor, questionários (multidimensionais) como o Mc Gill e o Chronic Pain Self-efficacy tentarão identificar as principais conseqüências psíquicas que podem ajudar a compreender os mecanismos que geram a expressão dolorosa 3.
As principais conseqüências da dor crônica são: Irritabilidade, enxaqueca, depressão, alteração do sono, baixa auto-estima, principal responsável por absenteísmo (Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho-DORT), incapacidade funcional, sarcopenia, dentre outros. Desta forma, verifica-se ser de suma importância realizar uma avaliação rigorosa, utilizando instrumentos específicos visando minimizar os transtornos supracitados 4.
Em uma avaliação pré-exercício, devemos adotar os seguintes procedimentos: 1) realizar anamnese - visando identificar os agentes causais, origem, intensidade e a influência de fatores psicossociais sobre a dor, visando determinar o método mais adequado para o tratamento. 2) realizar exames complementares- considerando serem estes os instrumentos mais acurados para identificar as causas do quadro álgico, dentre os exames realizados estão a eletromiografia, os exames hematológicos e os de imagem 2.
AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO SUBJETIVA DO ESFORÇO
Também no final dos anos 50, o pesquisador Sueco Gunar Borg iniciou uma longa jornada na tentativa de mensurar a percepção do esforço, baseado em um pressuposto teórico de relações 1. Partiu-se do princípio que como o ser humano era capaz de mensurar a intensidade do som, do calor, do frio, do paladar, também seria possível quantificar o esforço percebido, utilizando a escala de relações. Foi desenvolvido um instrumento (escala) com o objetivo de mensurar sintomas somáticos desencadeados pelo exercício intenso. Verificou-se que havia não somente um ajuste de relação entre a intensidade real e a percebida, mas também havia uma relação linear com a real intensidade do exercício 1.
O próximo desafio de Borg foi validar este instrumento. Partindo do pressuposto que toda carga física ou psicológica gera uma resposta fisiológica reativa, adaptativa e proporcional a magnitude da sobrecarga aplicada, e que desta forma, essa resposta fisiológica poderia ser mensurada de acordo com a percepção subjetiva do esforço experimentada 1.
Diversos estudos passaram a adotar a utilização da escala de Borg, pois, o coeficiente de confiabilidade, até então, demonstrava ser reprodutível em diversas situações 5.
A correlação linear entre a percepção subjetiva de esforço e a real intensidade do exercício, fez com que a utilização deste instrumento fosse plenamente difundida no meio científico, principalmente após a propagação da correlação entre %VO2,
Perfil do Autor
É Mestre em Ciências da Atividade Física (UNIVERSO), pós-graduado em Reabilitação Cardíaca (UGF) e Graduado em Educação Física (UNESA). Sua atual linha de pesquisa versa sobre o impacto da manipulação das estratégias de exercício resistido sobre as respostas cardiorrespiratórias. Tem experiência na área de reabilitação cardíaca e traumato-ortopédica, tendo diversos trabalhos apresentados em congressos sobre o tema. Possui grande experiência em prescrição de exercício para grupos especiais (≈ 6.000 horas). É sócio colaborador da Sociedade Brasleira de Cardiologia. antoniogil.ef@gmail.com