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Por: Antonio Gil Castinheiras Neto
INTRODUÇÃO
A avaliação isocinética tem sido utilizada nos últimos 30 anos com uma maior repercussão na última década. É utilizada para avaliar o padrão funcional de força e equilíbrio muscular. É possível quantificar valores absolutos do torque, do trabalho e da potência de grupos musculares, bem como valores relativos, ou seja, da proporção agonista/antagonista de tais grupos 1. O aparelho isocinético é um dinamômetro eletromecânico com sistema servomotor, que atualmente se apresenta computadorizado. O indivíduo realiza um esforço muscular máximo ou submáximo que se acomoda à resistência do aparelho. Este se caracteriza por possuir velocidade angular constante, permitindo realizar movimento na sua amplitude articular. A força exercida pelos grupos musculares varia durante o arco de movimento, devido ao seu braço de alavanca que se altera conforme a amplitude do movimento. Tem-se, então, o chamado momento angular de força ou torque. A resistência oferecida também é variável conforme a força realizada em cada ponto da amplitude articular. Mas a velocidade angular é sempre constante, em graus por segundo (°/seg), definida previamente pelo examinador 2.
O aparelho isocinético pode auxiliar na reabilitação de lesões esportivas ou em idosos 1,3. Em idosos, de acordo com a média encontrada para um grupo saudável, em relação ao pico de torque, ângulo de ocorrência do pico de torque e a relação de equilíbrio agonista/antagonista, desta forma, poderemos identificar o quão abaixo da média os sujeitos estão e o que deve ser determinado para a recuperação da força e equilíbrio musculares 3. Ou ainda em comparar as diferenças existentes de um grupamento muscular como seu membro contra-lateral 1. Apesar da eficácia, as desvantagens ainda estão no alto custo destes equipamentos 1.
A população idosa aumenta a cada década. Distúrbios na locomoção são verificados com o envelhecimento, aumentando as chances de queda para esta população. A força muscular é essencial para a saúde e função biomecânica e fisiológica. Assume para o idoso um destaque especial, em vista de sua relação com o equilíbrio, endurance muscular, locomoção, execução das tarefas cotidianas básicas e, finalmente, com a diminuição do risco de quedas. Dentre os tipos de força dinâmica, é sugerido que a potência muscular é especialmente afetada pelo processo de envelhecimento 4.
O exame isocinético no joelho, assim como em outras articulações, seja para avaliação ou para reabilitação, pode utilizar velocidades angulares que variam, normalmente, entre 30°/seg e 300°/seg Tais velocidades podem ser consideradas lentas (< 180°/seg) ou rápidas (> 180°/seg). A
velocidade de 180°/seg pode ser considerada intermediária. Para o melhor estudo do pico de torque e do trabalho, utiliza-se velocidade angular do tipo lenta, pois quanto menor a velocidade angular maior é o torque ou o trabalho. Neste caso, a velocidade mais usada é a de 60°/seg 1.
Quando analisamos o pico de torque algumas informações devem ser consideradas, como a relação inversa entre velocidade angular e torque, ou seja, se a velocidade é alta o torque é baixo e vice-versa. No trabalho, ou energia despendida no esforço muscular durante um movimento, quanto menor a velocidade angular maior o trabalho. Quanto a potência, a velocidade angular é diretamente proporcional à potência, ou seja, quanto maior a velocidade maior será a potência.
A relação de equilíbrio entre os músculos extensores/flexores do joelhos demonstra a magnitude da disparidade entre segmentos aumentando a chance de lesão. Por exemplo, em uma avaliação isocinética normal é verificado como fisiológico o registro de 60% da força absoluta para os extensores 5. na medida em que ocorrem diferenças entre os percentuais, há uma tendência dos grupos musculares em se pronunciarem com um maior ou menor percentual, o que será indicativo de algum tipo de lesão 1.
Normalmente essas três variáveis são analisadas em testes isocinéticos. Em uma avaliação da força, preconiza-se a utilização de uma velocidade lenta, que é indicada para a determinação do maior torque; velocidade rápida e/ou intermediária, enfocada para maior potência e índice de fadiga. Normalmente, realiza-se uma avaliação com até três velocidades diferentes, sendo necessária para cada pausa de 30 seg a 1 minuto.
Na cinesioterapia é comum a utilização inicialmente de velocidades mais elevadas, pois são mais toleráveis e, portanto, menos dolorosas nos casos pós-lesão ou pós-operatórios. Não ocorrendo quadro doloroso ou inflamatório, objetivando o ganho da força muscular, diminui-se, então, a velocidade progressivamente, bem como se aumenta o número de repetições 1. Uma velocidade angular de 60°/s é adequada e segura para avaliação isocinética em idosas 3.
Verificamos com essa breve revisão literária que a determinação da força e equilíbrio muscular em idosos em equipamentos isocinéticos são acurados e reprodutíveis e que podem colaborar para o processo de reabilitação, permitindo ao usuário conforto articular durante o trabalho realizado graça à tecnologia do equipamento.
REFERÊNCIAS
1- Terreri, ASAP, Greve JMD e Amatuzzi, MM. Avaliação isocinética no joelho do atleta. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 7, Nº 5 – Set/Out, 2001
2- Puhl W, Noack W, Scharf HP, Sedunko F. Isokinetisches Muskeltraining
in Sport und Rehabilitation. Perimed Fachbuch – Verlagsgesellschaft
mbH. Erlangen, 1988.
3- Aquino, MA et al. Isokinetic assessment of knee flexor/
extensor muscular strenght in elderly women. Rev. Hosp. Clín. Fac. Med. S. Paulo_ 57(4):131-134, 2002.
4-Guimarães, JMN, Farinatti, PTV. Análise descritiva das variáveis teoricamente associadas ao risco de quedas em mulheres idosas. Rev. Brás. Méd. Esporte_Vol.11, n°5 - Set/Out, 2005.
5- Terreri AS, et al. Isokinetic assessment of the flexor-extensor balance in athletes with total rupture of the anterior cruciate ligament. Rev Hosp Clin Fac Med S Paulo 1999;54:53-60.
Perfil do Autor
É Mestre em Ciências da Atividade Física (UNIVERSO), pós-graduado em Reabilitação Cardíaca (UGF) e Graduado em Educação Física (UNESA). Sua atual linha de pesquisa versa sobre o impacto da manipulação das estratégias de exercício resistido sobre as respostas cardiorrespiratórias. Tem experiência na área de reabilitação cardíaca e traumato-ortopédica, tendo diversos trabalhos apresentados em congressos sobre o tema. Possui grande experiência em prescrição de exercício para grupos especiais (≈ 6.000 horas). É sócio colaborador da Sociedade Brasleira de Cardiologia. email: antoniogil.ef@gmail.com